sábado, 7 de fevereiro de 2009

Fronteira para lado nenhum

Escrevo, num papel branco e limpo
Vivo, num pedaço de ar que não existe
Onde tudo parou não ha tempo
E tu nem tentaste levantar, caiste.
Onde a distância é a melhor solução
E pra me encontrar tenho que entrar em perdição
Já me sinto perdida, parei e sentei
Esperei por uns segundos e já me encontrei
Ajuda-me eu peço, ajuda-me a sentir o coração
Ele parou de bater e entrou em esquecimento
Quem me dera voltar a ter pulsação
Mas estou presa num momento.
Se estiver bem um dia, esse dia ja acabou
E tudo o que era a cores, a preto e branco se tornou.
O mundo que gostava de ter, esse já se foi
E aonde habito hoje, esse lugar é a minha mente que constroi.
Agora esboço o meu sentimento em lágrimas
E afogo a minha alegria em mágoas
Problemas de expressão, esses vão ficar
Não esta nas minhas mãos, não posso tentar mudar
Voltei ao pedaço de ar, aquele em que estou dentro
Não me consigo libertar, a força não supera o sofrimento
Baixei os braços, fechei os olhos, caí
Deixei de tentar, acho que desistiSerá que cresci ?
Não quero crescer.
Sem perceber me tornei
Naquilo que não quero ser.
Sem liberdade pra me exprimir entendi
Que a fronteira para lado nenhum, começa aqui.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Boneca de Porcelana

Passo todos os dias por pessoas, inúmeras pessoas. Pessoas quais não conheço, mas apenas olhando para elas posso ter a noção de como são suas vidas. Todos os dias passo por pessoas, inúmeras pessoas. Olho para algumas e deduzo que têm uma vida bastante boa, olho para outras e não tenho tanta certeza. Há pessoas que me tocam, apenas pela sua força de vontade e coragem. Olho para essas pessoas e sinto-me uma boneca de porcelana, tão protegida e bem cuidada, sempre na prateleira mais alta para que ninguém me toque, pois o mais pequeno erro poderia estragar a minha frágil estrutura. Sou apenas uma boneca para se olhar, invejar e admirar. Sou tão perfeita a olho nú, pois ninguem na verdade vê os meus defeitos. Por dentro, sou oca, não tenho coração, sou apenas porcelana, nada mais. Vivo com medo de quebrar, com medo de que a minha perfeita pele de porcelana rache, e então todos irão ver que sou vazia, completamente vazia. Não quero ser! As aparências importam, e eu não quero demonstrar nada, quero continuar na minha perfeição, sempre com um sorriso doce na cara, como se nada me afectasse. Sou mesmo uma boneca de porcelana, sou mesmo oca e vazia. Sou mesmo fria, finjo que sou dura, mas na verdade sou a mais frágil de todas. Queria só por um dia, ser uma boneca de pano, com todas as suas imperfeições à flor da pele, sem ter que ser perfeita para ninguém, sendo apenas o que realmente sou. Mas como? não posso, sou demasiado fraca. Talvez esteja destinada a ser sempre, apenas uma boneca de porcelana.